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Toxoplasmose congênita

toxoplasmose_congnitaO Toxoplasma gondii é um dos parasitos mais bem sucedidos de que se tem conhecimento, podendo infectar praticamente todo animal de sangue quente, em qualquer parte do planeta. Estima-se que a infecção pelo T. gondii ocorra em pelo menos um terço da população humana mundial, com taxas mais altas de prevalência em locais quentes e úmidos (pelo efeito favorecedor dessas condições na maturação dos oocistos depositados no solo), naqueles em que haja abundância de hospedeiro definitivo (felinos, em especial o gato doméstico), em populações com hábito de ingerir carnes cruas (contaminadas com cistos teciduais) e naqueles com condições sanitárias desfavoráveis ( facilitando a ingestão de oocistos, contaminando água e alimentos)

Especialmente no Brasil a soropositividade ao parasita varia de 50% a 83% da população, em função das diversas condições mencionadas. Já foi demonstrado ser a água uma importante via de transmissão. Em grupos com nível socioeconômico mais baixo, a soroconversão é mais precoce.

Além da ingestão de oocisto maduros ( contaminando a água, o solo e os alimentos) e de cistos teciduais ( presentes em carnes mal cozidas, em especial de ovinos, suínos, caprinos, bovinos e até mesmo em aves), a toxoplasmose pode também ser transmitida através da placenta ( transmissão vertical), do transplante de órgãos e em teoria por meio do contato íntimo com qualquer fluido corporal que possa conter o parasita. Embora possível, a transmissão pelo leite materno é improvável. Não há portanto contra-indicação a amamentação.

Em geral a toxoplasmose é uma doença autolimitada, passa-se de forma assintomática na grande maioria dos indivíduos imunocompetentes, mas pode ter conseqüências devastadoras principalmente em neonatos, após transmissão vertical e em imunossuprimidos, seja na primoinfecção ou mesmo na reativação da infecção latente.

A incidência global da toxoplasmose congênita é relatada como variando de um a 10 casos para cada 10 mil nascidos vivos. No Brasil há poucos estudos nesse sentido, com incidências variando de três a vinte casos por 10 mil nascidos vivos. Recentemente, um estudo multidisciplinar realizado na Universidade Federal de Minas Gerais, baseado na triagem neonatal de mais de 150 mil recém-nascidos em todo o estado, através de detecção de IGM específica no teste do pezinho, tem preliminarmente apontado incidência de toxoplasmose congênita em cerca de 1 em cada mil nascidos vivos.

Vem sendo percebida uma correlação inversa entre a incidência de toxoplasmose congênita e o índice de desenvolvimento humano das macrorregiões estudadas. Assim áreas mais pobres têm mostrado taxa de incidência de até 1/500, enquanto em áreas mais favorecidas a incidência tem se revelado sensivelmente menor ( até 1/3000).

A maioria dos neonatos infectados é assintomática ao nascimento. As manifestações clínicas podem-se apresentar logo ao nascimento, ou mesmo ao longo do crescimento da criança.

Diagnóstico

Tanto precoce quanto tardiamente, a retinocoroidite é a principal manifestação da toxoplasmose congênita. Ocorre em 20% a 72% dos infectados ao nascimento e pode se desenvolver em até 90% deles até a adolescência.

A lesão clássica da retinocoroidite na toxoplasmose congênita é a cicatriz em `` roda de carroça`` ou rosácea, localizada na mácula, com profunda destruição tissular em sua porção central.

Tratamento

É preconizado o tratamento de toda criança com diagnóstico de toxoplasmose congênita, durante o primeiro ano de vida, independentemente da existência ou não de sintomas.

Infelizmente no Brasil muitos casos de toxoplasmose congênita ainda são tardiamente identificados, no momento em que grande parte das seqüelas já está estabelecida. A abordagem pré-natal da soroconversão materna não tem sido feita de forma sistematizada. O Ministério da Saúde recomenda investigação sorológica para toxoplasmose das gestantes sempre que possível. Na prática muitas se submetem ao teste no início da gravidez, nem sempre efetivamente recebendo as orientações sobre medidas preventivas.

Diante do potencial de seqüelas principalmente oculares, da toxoplasmose congênita, é fundamental que toda a sociedade se conscientize de sua importância e da necessidade de atenção especial a essa doença, no diagnóstico, tratamento e, sobretudo na prevenção.

Principais recomendações higienodietéicas a gestantes suscetíveis à toxoplasmose

• Ingerir água somente filtrada ou fervida.

• Evitar ingestão de carnes cruas ou mal cozidas.

• Lavar frutas, verduras e legumes com água filtrada ou fervida

antes do consumo.

• Usar luvas e lavar as mãos e utensílios após manipular

carne crua ou terra de jardim.

• Evitar contato com felinos e suas fezes, mesmo no lixo ou no solo.

Toxoplasmose

Fonte: Oréfice, Fernando; Vasconcelos-Santos, Daniel. Universo Visual. Fev 2008. ano VII. Nº 37, p. 18-22.

Última atualização em Seg, 22 de Novembro de 2010 18:42